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FLÁVIO BOLSONARO DESTINOU EMENDA A MILICIANO DO CASO MARIELLE

É preciso separar fato de acusação. As mensagens reveladas pela Polícia Federal não permitem afirmar que Flávio Bolsonaro tenha participado de qualquer esquema criminoso. Mas também não podem ser tratadas como algo irrelevante.

O que aparece nos registros é grave: Robson Calixto, o “Peixe”, condenado por integrar a organização criminosa ligada aos irmãos Brazão no caso Marielle, procurou uma assessora do gabinete de Flávio Bolsonaro para pedir ajuda com uma emenda parlamentar. A assessora não apenas recebeu o pedido, como orientou o contato a reforçá-lo pessoalmente com o senador.

Pouco depois, quase R$ 200 mil foram destinados ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o Ifop. Posteriormente, o TCU apontou irregularidades na execução dos recursos.

E há outro episódio que chama atenção: a mesma assessora aparece nas mensagens pedindo quatro ingressos para o desfile das campeãs no camarote Arpoador. Os investigadores classificaram a solicitação como possível vantagem indevida.

Flávio Bolsonaro afirma que a emenda foi destinada dentro da legislação e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte, e sustenta que eventuais irregularidades na execução devem ser apuradas pelos órgãos competentes.

Pois então que sejam apuradas.

Porque dinheiro público exige transparência. E quando uma emenda parlamentar aparece associada a pedidos feitos por alguém condenado por integrar uma organização criminosa relacionada ao caso Marielle, a sociedade tem o direito de perguntar: quem pediu, quem autorizou, quem acompanhou e para onde foi o dinheiro?

Não se trata de condenar alguém por uma mensagem. Trata-se de exigir explicações diante de fatos documentados.

Em política, especialmente quando há dinheiro público envolvido, explicações não são favor. São obrigações.

 

Esta é a opinião do Grupo Mundial News de Comunicação.